quarta-feira, 29 de abril de 2015

Rússia responsabiliza Kiev por descumprir acordos de paz

Moscou - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, responsabilizou nesta segunda-feira as autoridades de Kiev pelo descumprimento dos acordos de paz para as regiões separatistas no leste da Ucrânia.
"Infelizmente, os acordos de Minsk não estão sendo cumpridos, sobretudo por culpa do governo da Ucrânia", disse Lavrov em entrevista coletiva conjunta com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, após encontro de ambos.
Segundo o chanceler russo, "há mais que suficientes" exemplos do descumprimento dos acordos por parte de Kiev.
Particularmente, Lavrov se referiu à lei aprovada pelo parlamento da Ucrânia sobre o status especial das regiões de Lugansk e Donetsk, controladas parcialmente pelos separatistas pró-Rússia.
"Essa lei deveria ser adotada após acordo cos representantes de Lugansk e Donetsk, mas não ocorreu assim", criticou.
Segundo Lavrov, a Rússia se "preocupa com a continuidade das repetidas violações do regime de cessar-fogo, que foram de grande intensidade nos últimos dias".
"A situação agora, aparentemente, se tranquilizou. Nós vamos ajudar ativamente para que esta tendência se fortaleça", garantiu.
O chanceler russo admitiu que as milícias rebeldes também descumprem a trégua, mas atribuiu a maior parte da responsabilidade aos militares ucranianos.
Em relações à sanções ocidentais contra a Rússia, Lavrov disse que Moscou não pedirá seu levantamento.
"Já dissemos muitas vezes que não pedimos a ninguém que levante as sanções. Essas sanções foram adotadas por motivos inventados e isso recai sobre suas consciências", disse.

Guerra no Iêmen soma 140 mortos sem ajuda humanitária

Novos combates no sul do Iêmen entre os rebeldes xiitas e partidários do presidente apoiado pela Arábia Saudita fizeram 140 mortos, enquanto o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) se esforça para entregar ajuda humanitária aos civis prejudicados pelo conflito.
No 12º dia da campanha de bombardeios liderada pela Arábia Saudita, os combates se centravam no sul, onde ao menos 140 pessoas morreram, entre elas 53 em Áden, segunda maior cidade do país, informaram diversas fontes.
A situação humanitária piora a cada dia no país, e os hospitais, que carecem de medicamentos, não podem atender às centenas de feridos do conflito.
Mas nenhuma ajuda consegue chegar do exterior. O CICV afirma estar enfrentando muitos problemas logísticos para proporcionar ajuda.
"Temos as autorizações para enviar um avião de carga com material médico", declarou à AFP um porta-voz da CICV, Sitara Jabeen. "mas cada vez menos aparelhos pode pousar no aeroporto da capital Sanaa, em mãos dos rebeldes xiitas", explicou.
Cerca de 48 toneladas de medicamentos e de kits cirúrgicos esperam autorização para serem levados para o Iêmen por avião ou barco, segundo a CICV, que também está pronta para expedir tendas, geradores e equipamentos para reparar as redes de fornecimento de água.
A situação é particularmente grave em Áden, a grande cidade portuária do sul. Os confrontos resultaram "na morte de 17 civis e de 10 combates dos comitês populares", partidários do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi refugiado em Riad, desde domingo, segundo uma fonte médica.
Por sua vez, uma fonte militar evocou 27 mortos entres os rebeldes xiitas huthis, apoiados pelo Irã.
Os Estados Unidos admitiram nesta segunda-feira que são incapazes de retirar por via aérea seus cidadãos no Iêmen, cujos aeroportos estão fechados, e os exortou a deixar o país por via marítima, em embarcações de outros países.
"Enviamos mensagens urgentes aos americanos que permanecem no Iêmen para informá-los sobre a possibilidade de sair do país", disse a porta-voz do departamento de Estado Marie Harf, insistindo sobre as "possibilidades marítimas" - em alusão aos navios estrangeiros que realizam, por exemplo, o cruzamento entre Aden (sul) e Djibuti.
Novos ataques
Esses milicianos e seus aliados, soldados leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que tomaram no ano passado a capital Sanaa e grandes partes do norte e centro do país, lançou uma ofensiva no início de março em Áden. Eles assumiram o controle no domingo da sede da administração provincial.
Os rebeldes tentavam nesta segunda-feira, de acordo com testemunhas, avançar no bairro de Al-Moalla, para tomar um porto próximo. Eles enfrentaram a resistência dos "comitês populares", que receberam armas e munições da coalizão árabe.
No início da tarde, uma espessa coluna de fumaça se formava acima de um posto de gasolina, perto de aeroporto de Áden, de acordo com um fotógrafo da AFP.
Em Dhaleh, também no sul, os combates deixaram pelo menos 19 mortos entre os rebeldes e 15 entre os membros dos "comitês populares", indicou à AFP uma autoridade provincial.
Em Zinjibar, capital da província de Abyan, a leste de Áden, os membros dos "comitês populares" cercam desde domingo à noite a Brigada 115 do Exército, leais ao ex-presidente Saleh e que se aliaram aos huthis, de acordo com partidários de Hadi.
Os "comitês populares" tomaram domingo à noite, com o apoio de homens de tribos vizinhas, o controle da cidade de Dufes, na estrada entre Zinjibar e Áden. Os combates causaram duas mortes entre os soldados do exército e cinco entre os huthis, segundo fontes médicas.
Em Lahj, a oeste de Áden, os ataques da coalizão tiveram como alvo a base aérea de Al-Anad e um acampamento militar nas proximidades, onde dez rebeldes foram mortos, de acordo com uma fonte militar.
Arábia 'não vai à guerra'
A Jordânia, membro da coalizão árabe, anunciou nesta segunda-feira a retirada, via Arábia Saudita, de 130 de seus cidadãos no Iêmen, elevando a 287 o número de jordanianos resgatados do país.
Três aviões indianos e um quarto russo aterrissaram nesta segunda em Sanaa para operações de evacuação, relatou um fotógrafo da AFP.
A França também evacuou por via marítima, com um navio no porto de Balhaf (leste), 63 cidadãos de diferentes nacionalidades, incluindo 23 franceses, para o Djibouti, segundo uma fonte oficial.
No Paquistão, a participação ou não na coalizão no Iêmen ainda está sendo debatida, enquanto a Arábia Saudita pediu a seu aliado sunita aviões, navios de guerra e tropas terrestres.
O debate tem sido particularmente intenso no Paquistão, que possui quase 20% de xiitas, tornando-se o segundo país do Islã xiita depois do Irã.
Em Riad, o Conselho de Ministros, presidido pelo rei Salman, reiterou nesta segunda-feira que o reino saudita "não estava indo para a guerra" e que a sua campanha no Iêmen visa "socorrer um vizinho e uma autoridade legítima".

Líbano recebe armas financiadas pela Arábia Saudita

O Exército libanês recebeu nesta segunda-feira um primeiro carregamento de armas francesas financiadas por uma doação saudita de 3 bilhões de dólares para de melhorar a resposta à ameaça jihadista proveniente da Síria.
A entrega de 48 mísseis antitanques Milan foi feita na base aérea de Beirute, onde foi realizada uma cerimônia na presença dos ministros francês e libanês da Defesa, respectivamente Jean-Yves Le Drian e Samir Mokbel.
Um total de 250 veículos de combate e transporte de tropas, sete helicópteros Cougar, três corvetas e vários equipamentos de reconhecimento, interceptação e comunicação renovará até 2019 um material obsoleto ou insuficiente.
França e Arábia Saudita esperam contribuir assim para a estabilidade do Líbano, país que continua fragilizado por 15 anos de guerra civil (1975-1990) e fortes tensões confessionais, e que agora enfrenta a incursão de jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) ou da Frente Al Nosra, facção síria da Al-Qaeda.

Coalizão de milícias bombardeiam o Estado Islâmico na Líbia

A coalizão de milícias Fajr Libya, que controla a capital do país, lançou na tarde de quinta-feira bombardeios aéreos contra posições do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em Sirte, 450 km a leste de Trípoli, segundo autoridades e testemunhas.
"Um avião de combate da Fajr Libya lançou na tarde de quinta-feira vários bombardeios contra locais onde se encontravam membros do braço líbio do EI" em Sirte, declarou à AFP uma autoridade local, que pediu o anonimato.
Segundo esta fonte, os bombardeios tinham como alvo um complexo onde o EI instalou seu centro de comando e controle.
Desde quarta-feira, o EI e um batalhão de infantaria do Fajr Libya travam em Sirte violentos combates com armas pesadas, disse um porta-voz do batalhão, Sadd Jaled Bu Jazi.
A Líbia está afundada no caos após a morte de Muanmar Kadhafi. A Fajr Libya se apoderou em 2014 de Trípoli, obrigando o governo reconhecido pela comunidade internacional, assim como o Parlamento, a se exilar no leste do país.
Um governo rival sob influência da Fajr Libya se autoproclamou em Trípoli.
Aproveitando esta instabilidade, o EI se infiltrou na Líbia, e controla em especial zonas na região de Sirte.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Coreia diz que pode disparar míssil "a qualquer momento"

 A Coreia do Norte tem a capacidade de disparar uma arma nuclear e usaria um míssil nuclear em retaliação se for atacada, disse o embaixador do país na Grã-Bretanha à Sky News nesta sexta-feira.
"Não são os Estados Unidos que têm um monopólio sobre ataques com armas nucleares", disse o embaixador Hyun Hak-bong à Sky na embaixada do país asiático isolado, em Londres.
Questionado se isso significava que a Coreia do Norte, que abandonou o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1993, tinha a capacidade de disparar um míssil nuclear agora, ele respondeu: "A qualquer momento, qualquer momento, sim."
"Se os Estados Unidos nos atacarem, devemos contra-atacar. Estamos prontos para guerra convencional com guerra convencional, estamos prontos para guerra nuclear com guerra nuclear. Não queremos guerra, mas não temos medo da guerra", acrescentou.
Num discurso em 3 de março, o ministro do Exterior norte-coreano, Ri Su Yong, disse que seu país tinha o poder de deter uma "crescente ameaça nuclear" dos Estados Unidos com um ataque preventivo se necessário.
Ele também denunciou exercícios militares realizados pela Coreia do Sul e os EUA como provocativos.
Os EUA disseram que estão seriamente preocupados com o trabalho nuclear da Coreia do Norte, que alegam que violam acordos internacionais.
A Coreia do Norte realizou três detonações nucleares, a mais recente em fevereiro de 2013.
O comando das forças norte-americanas na Coreia do Sul disse em outubro que acreditava que Pyongyang tinha a capacidade de construir uma ogiva nuclear que poderia ser acoplada a um míssil balístico, embora não tivesse evidências de que o país teria dado esse passo.
Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano se recusou a comentar "sobre assuntos de inteligência" quando perguntado se a Coreia do Norte era capaz de disparar um míssil nuclear, mas afirmou que os EUA permaneciam "totalmente preparados para dissuadir, se defender e responder à ameaça representada pelo Coreia Do Norte".