quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ucrânia alerta para risco de guerra total com a Rússia

A Ucrânia alertou nesta quinta-feira para a ameaça de uma "guerra total" com a Rússia, acusada de apoiar os rebeldes separatistas no leste do país, no dia seguinte a uma escalada da violência que deixou 26 mortos em violentos combates.
A União Europeia, bem como Paris e Berlim, que patrocinaram os frágeis acordos de paz de Minsk 2, expressaram sua preocupação relacionada a uma retomada dos combates no leste do país.
A UE denunciou nesta quinta-feira a escalada dos confrontos no leste do país, estimando que se trata da violação mais grave do cessar-fogo alcançado em fevereiro.

Os confrontos de quarta-feira nas proximidades de Mariinka, cidade sob controle de Kiev, foram os mais violentos desde a tomada pelos rebeldes do enclave ferroviário estratégico de Debaltseve, entre os redutos separatistas de Donetsk e Lugansk, pouco após a entrada em vigor do cessar-fogo em 15 de fevereiro.
"A ameaça de uma retomada de ações militares de grande envergadura de grupos terroristas russos continua sendo gigantesca", declarou o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em seu discurso anual no Parlamento, no qual afirmou que mais de 9.000 soldados russos estão atualmente na Ucrânia.
"Em razão da ameaça permanente de um lançamento pela Rússia de uma guerra total contra a Ucrânia, a defesa de nosso país se tornou uma prioridade", indicou, acrescentando que mais de 50.000 "heróis ucranianos" estão no leste para "defender o país".
Neste contexto, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, considerou nesta quinta-feira que a Rússia é mais agressiva que há uns anos, mas que não constitui uma ameaça imediata para os países da aliança atlântica.
Stoltenberg descreveu uma Rússia muito remilitarizada "que, infelizmente, é mais agressiva que há uns anos" e que não hesita "em recorrer à força militar para mudar as fronteiras na Europa", citando os exemplos de Crimeia, Ucrânia e Geórgia.
Kiev e os países ocidentais acusam a Rússia, que se anexou à península da Crimeia há mais de um ano, de armar os separatistas no leste da Ucrânia e de ter mobilizado suas tropas, o que Moscou nega.
Em um documento publicado na quarta-feira, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) indicou ter observado o "movimento de um grande número de armas pesadas nos territórios controlados pela República Popular de Donetsk, geralmente a oeste da linha de frente, perto de Mariinka, antes e durante os combates".
A OSCE, cuja missão é observar os acontecimentos no leste da Ucrânia, disse que havia visto oito veículos blindados que se dirigiam a oeste, quatro dos quais eram carros, assim como um caminhão militar transportando uma peça de artilharia de calibre de 122 milímetros e uma coluna de infantaria.
A missão, baseada em Donetsk, informou que havia ouvido cem disparos de artilharia, lançados nos arredores de Donetsk entre as 04h40 e as 04h40 locais de quarta-feira, assim como tiros procedentes de lança-foguetes múltiplos Grad.
A União Europeia fez eco às preocupações, dizendo que "os violentos combates ao redor da localidade de Mariinka, perto de Donetsk, no leste da Ucrânia, constituem a mais grave violação do cessar-fogo (...) desde fevereiro", declarou uma porta-voz da diplomacia do bloco.
Ante o aumento da violência, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, denunciou nesta quinta-feira que o processo de paz no leste da Ucrânia pode "explodir em pedaços" pelas ações de Kiev.
O diplomata declarou à agência oficial Interfax que os acordos de paz de Minsk 2, assinados em 12 de fevereiro, "estão permanentemente ameaçados pelas ações lançadas pelas autoridades de Kiev".
As autoridades ucranianas acusaram os separatistas pró-russos de terem desencadeado na quarta-feira ao amanhecer uma grande ofensiva com mais de dez carros de combate e mil efetivos contra suas posições em Mariinka.
O balanço de mortos chega a 26. Um representante da auto-proclamada República Popular de Donetsk, Eduard Bassurine, disse à AFP que 16 rebeldes e cinco civis foram mortos nas últimas 24 horas. Por sua vez, Yuri Biryukov, conselheiro próximo ao presidente ucraniano, contabilizou cinco soldados mortos em sua página no Facebook.
Esta escalada de violência aumenta os temores de que os acordos de Minsk, que visam acabar com uma crise que levou a um confronto sem precedentes desde a Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente, se quebrem. O conflito no leste já custou mais de 6.400 vidas desde o seu início, em abril de 2014.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Irã ameaça atacar Israel em caso de agressão

Uma autoridade militar iraniana advertiu que seu país está pronto para atacar Haïfa e Tel Aviv com a ajuda do Hezbollah libanês em represália a um eventual ataque israelense, indicou nesta quinta-feira a televisão estatal.
Mais de 80.000 mísseis do Hezbollah estão prontos para serem disparados contra Tel Aviv e Haifa, declarou o general Yahya Rahim Safavi, conselheiro militar do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, citado pelo site da televisão estatal.
"O Irã, com o apoio do Hezbollah e de seus amigos, é capaz de destruir Tel Aviv e Haifa, em caso de agressão militar por parte dos sionistas", acrescentou.
"Eu não acredito que os sionistas são tão pouco inteligentes para criar um problema militar contra o Irã. Eles conhecem o poder do Irã e do Hezbollah (...) O Hezbollah libanês está muito próximo deles e mais de 80.000 mísseis estão prontos a ser disparados contra Tel Aviv e Haifa", reiterou.
O Irã não reconhece a existência de Israel e anuncia regularmente a sua destruição. Teerã também fornece ajuda financeira e militar a alguns grupos armados palestinos.
Estas observações foram feitas poucos dias depois das declarações do ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, que evocou em um discurso os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, "que fizeram 20 mil mortos" para forçar o Japão a se render durante a Segunda Guerra Mundial.
O representante do Irã nas Nações Unidas, Gholam-Ali Khoshrou, denunciou em uma carta o que ele apresentou como uma "ameaça nuclear", acrescentando que Israel tinha, assim, reconhecido implicitamente possuir armas nucleares.

Russos capturados na Ucrânia dizem ter seguido ordens

Dois russos capturados por forças ucranianas que combatem rebeldes pró-Rússia disseram a um jornal estarem na Ucrânia em uma missão para os militares russos, contradizendo a postura oficial de Moscou.
Falando de um leito de hospital em Kiev, um deles, Alexander Alexandrov, rompeu em lágrimas quando seu entrevistador lhe disse que seus parentes declararam à mídia estatal russa que ele desertou antes de ir para a Ucrânia.
“Por que estão virando as costas para mim?”, disse ele, segundo o semanário russo Novaya Gazeta. “Recebi uma ordem. Fiz um juramento à pátria-mãe... recebi uma ordem e, como militar, eu a executei”.
Os militares da Ucrânia declararam que os dois homens foram feridos durante uma troca de tiros no leste do país, e que estão sendo tratados dos ferimentos. As autoridades de Kiev disseram que eles serão acusados de “atos terroristas”.
Em um vídeo publicado na Internet nesta semana pelo Ministério do Interior ucraniano, Alexandrov afirmou estar em uma missão de espionagem na Ucrânia e que é um dos 14 membros de um grupo de forças especiais da cidade russa de Togliatti.

Iêmen tem novos ataques aéreos

Aviões de guerra liderados pela Arábia Sudita lançaram uma nova onda de ataques aéreos em todo o Iêmen neste sábado contra os rebeldes apoiados pelos Irã, disseram testemunhas.
Os ataques aéreos atingiram depósitos de armas sob o controle dos rebeldes xiitas huthis na cidade de Ghula, na província de Omran, norte de Sanaa, disseram moradores.
Outros bombardeios foram feitos em instalações de armazenamento de armas na capital. Houve explosões fatais e greves na base militar Dhabwa, atualmente sob controle rebelde.
Na província de Hodeida, um aeroporto militar foi bombardeado duas vezes pelos aviões de guerra da coalizão, de acordo com moradores.
A coalizão árabe intensificou os ataques aos huthis e seus aliados desde o fim do cessar-fogo humanitário, na noite de terça-feira.
Em Hajja, no norte do país, uma reunião de huthis foi atingida, matando pelo menos 12 dos combatentes xiitas, de acordo com testemunhas.
Os ataques aéreos também atingiram posições rebeldes em Dhamar, disseram as autoridades. Tanques e morteiros cruzaram alguns setores da região central, onde ocorreram intensos combates, segundo fontes tribais.
No sul do Iêmen, aviões de guerra acertaram rebeldes em combate com tribos locais em Ataq, capital da província de Shabwa, disseram fontes militares. Os combates deixaram pelo menos 28 mortos, incluindo 17 huthis e 11 integrantes de tribos.
Em Áden, confrontos assolam norte, leste e oeste da cidade portuária dividida entre rebeldes e combatentes leais ao presidente Abedrabbo Mansour Hadi.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou a campanha aérea contra os huthis no dia 26 de março, depois que rebeldes tomaram a capital e avançaram por Áden.
A Organização das Nações Unidas, que pretende promover uma conferência sobre o Iêmen em Genebra na próxima semana, informou que os conflitos mataram mais de 1.000 pessoas e deslocaram aproximadamente meio milhão de pessoas.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Rússia responsabiliza Kiev por descumprir acordos de paz

Moscou - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, responsabilizou nesta segunda-feira as autoridades de Kiev pelo descumprimento dos acordos de paz para as regiões separatistas no leste da Ucrânia.
"Infelizmente, os acordos de Minsk não estão sendo cumpridos, sobretudo por culpa do governo da Ucrânia", disse Lavrov em entrevista coletiva conjunta com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, após encontro de ambos.
Segundo o chanceler russo, "há mais que suficientes" exemplos do descumprimento dos acordos por parte de Kiev.
Particularmente, Lavrov se referiu à lei aprovada pelo parlamento da Ucrânia sobre o status especial das regiões de Lugansk e Donetsk, controladas parcialmente pelos separatistas pró-Rússia.
"Essa lei deveria ser adotada após acordo cos representantes de Lugansk e Donetsk, mas não ocorreu assim", criticou.
Segundo Lavrov, a Rússia se "preocupa com a continuidade das repetidas violações do regime de cessar-fogo, que foram de grande intensidade nos últimos dias".
"A situação agora, aparentemente, se tranquilizou. Nós vamos ajudar ativamente para que esta tendência se fortaleça", garantiu.
O chanceler russo admitiu que as milícias rebeldes também descumprem a trégua, mas atribuiu a maior parte da responsabilidade aos militares ucranianos.
Em relações à sanções ocidentais contra a Rússia, Lavrov disse que Moscou não pedirá seu levantamento.
"Já dissemos muitas vezes que não pedimos a ninguém que levante as sanções. Essas sanções foram adotadas por motivos inventados e isso recai sobre suas consciências", disse.

Guerra no Iêmen soma 140 mortos sem ajuda humanitária

Novos combates no sul do Iêmen entre os rebeldes xiitas e partidários do presidente apoiado pela Arábia Saudita fizeram 140 mortos, enquanto o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) se esforça para entregar ajuda humanitária aos civis prejudicados pelo conflito.
No 12º dia da campanha de bombardeios liderada pela Arábia Saudita, os combates se centravam no sul, onde ao menos 140 pessoas morreram, entre elas 53 em Áden, segunda maior cidade do país, informaram diversas fontes.
A situação humanitária piora a cada dia no país, e os hospitais, que carecem de medicamentos, não podem atender às centenas de feridos do conflito.
Mas nenhuma ajuda consegue chegar do exterior. O CICV afirma estar enfrentando muitos problemas logísticos para proporcionar ajuda.
"Temos as autorizações para enviar um avião de carga com material médico", declarou à AFP um porta-voz da CICV, Sitara Jabeen. "mas cada vez menos aparelhos pode pousar no aeroporto da capital Sanaa, em mãos dos rebeldes xiitas", explicou.
Cerca de 48 toneladas de medicamentos e de kits cirúrgicos esperam autorização para serem levados para o Iêmen por avião ou barco, segundo a CICV, que também está pronta para expedir tendas, geradores e equipamentos para reparar as redes de fornecimento de água.
A situação é particularmente grave em Áden, a grande cidade portuária do sul. Os confrontos resultaram "na morte de 17 civis e de 10 combates dos comitês populares", partidários do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi refugiado em Riad, desde domingo, segundo uma fonte médica.
Por sua vez, uma fonte militar evocou 27 mortos entres os rebeldes xiitas huthis, apoiados pelo Irã.
Os Estados Unidos admitiram nesta segunda-feira que são incapazes de retirar por via aérea seus cidadãos no Iêmen, cujos aeroportos estão fechados, e os exortou a deixar o país por via marítima, em embarcações de outros países.
"Enviamos mensagens urgentes aos americanos que permanecem no Iêmen para informá-los sobre a possibilidade de sair do país", disse a porta-voz do departamento de Estado Marie Harf, insistindo sobre as "possibilidades marítimas" - em alusão aos navios estrangeiros que realizam, por exemplo, o cruzamento entre Aden (sul) e Djibuti.
Novos ataques
Esses milicianos e seus aliados, soldados leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que tomaram no ano passado a capital Sanaa e grandes partes do norte e centro do país, lançou uma ofensiva no início de março em Áden. Eles assumiram o controle no domingo da sede da administração provincial.
Os rebeldes tentavam nesta segunda-feira, de acordo com testemunhas, avançar no bairro de Al-Moalla, para tomar um porto próximo. Eles enfrentaram a resistência dos "comitês populares", que receberam armas e munições da coalizão árabe.
No início da tarde, uma espessa coluna de fumaça se formava acima de um posto de gasolina, perto de aeroporto de Áden, de acordo com um fotógrafo da AFP.
Em Dhaleh, também no sul, os combates deixaram pelo menos 19 mortos entre os rebeldes e 15 entre os membros dos "comitês populares", indicou à AFP uma autoridade provincial.
Em Zinjibar, capital da província de Abyan, a leste de Áden, os membros dos "comitês populares" cercam desde domingo à noite a Brigada 115 do Exército, leais ao ex-presidente Saleh e que se aliaram aos huthis, de acordo com partidários de Hadi.
Os "comitês populares" tomaram domingo à noite, com o apoio de homens de tribos vizinhas, o controle da cidade de Dufes, na estrada entre Zinjibar e Áden. Os combates causaram duas mortes entre os soldados do exército e cinco entre os huthis, segundo fontes médicas.
Em Lahj, a oeste de Áden, os ataques da coalizão tiveram como alvo a base aérea de Al-Anad e um acampamento militar nas proximidades, onde dez rebeldes foram mortos, de acordo com uma fonte militar.
Arábia 'não vai à guerra'
A Jordânia, membro da coalizão árabe, anunciou nesta segunda-feira a retirada, via Arábia Saudita, de 130 de seus cidadãos no Iêmen, elevando a 287 o número de jordanianos resgatados do país.
Três aviões indianos e um quarto russo aterrissaram nesta segunda em Sanaa para operações de evacuação, relatou um fotógrafo da AFP.
A França também evacuou por via marítima, com um navio no porto de Balhaf (leste), 63 cidadãos de diferentes nacionalidades, incluindo 23 franceses, para o Djibouti, segundo uma fonte oficial.
No Paquistão, a participação ou não na coalizão no Iêmen ainda está sendo debatida, enquanto a Arábia Saudita pediu a seu aliado sunita aviões, navios de guerra e tropas terrestres.
O debate tem sido particularmente intenso no Paquistão, que possui quase 20% de xiitas, tornando-se o segundo país do Islã xiita depois do Irã.
Em Riad, o Conselho de Ministros, presidido pelo rei Salman, reiterou nesta segunda-feira que o reino saudita "não estava indo para a guerra" e que a sua campanha no Iêmen visa "socorrer um vizinho e uma autoridade legítima".

Líbano recebe armas financiadas pela Arábia Saudita

O Exército libanês recebeu nesta segunda-feira um primeiro carregamento de armas francesas financiadas por uma doação saudita de 3 bilhões de dólares para de melhorar a resposta à ameaça jihadista proveniente da Síria.
A entrega de 48 mísseis antitanques Milan foi feita na base aérea de Beirute, onde foi realizada uma cerimônia na presença dos ministros francês e libanês da Defesa, respectivamente Jean-Yves Le Drian e Samir Mokbel.
Um total de 250 veículos de combate e transporte de tropas, sete helicópteros Cougar, três corvetas e vários equipamentos de reconhecimento, interceptação e comunicação renovará até 2019 um material obsoleto ou insuficiente.
França e Arábia Saudita esperam contribuir assim para a estabilidade do Líbano, país que continua fragilizado por 15 anos de guerra civil (1975-1990) e fortes tensões confessionais, e que agora enfrenta a incursão de jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) ou da Frente Al Nosra, facção síria da Al-Qaeda.